Esse espaço traz informações sobre temas variados que com frequência fazem parte de meus estudos e leituras e que passo a compartilhar aqui com quem também tiver interesses em comum. Sejam todos bem vindos!
terça-feira, 7 de setembro de 2010
TURISMO NAS FAVELAS
Ao ler essa notícia hoje de manhã mais uma vez me deparei com uma dúvida que me persegue desde a época da faculdade de Turismo, seria a melhor forma de divulgar o nosso país mostrar as suas favelas? Não é o Brasil o país de tantas belezas, diversidades e culturas, com grandes centros urbanos, comerciais, naturais? Precisamos mesmo apelar para apresentar ao nosso visitante a vida sofrida de grande parte da nossa população? Não acho que seria o melhor caminho, mas enfim, respeitando aqueles que acreditam nessa iniciativa segue abaixo o resumo da matéria apresentada no site da UOL em 07/09/2010. (caso queira maiores detalhes, acesse: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2010/09/07/rio-de-janeiro-organiza-visitas-guiadas-as-primeiras-favelas-pacificadas-para-limpar-sua-imagem.jhtm)
O projeto intitulado Rio Top Tour visa apresentar aos turistas a vida nas favelas carioca, através dos moradores que serão treinados para apresentar aos visitantes os becos, as lajes (dentre elas as escolhidas por Michael Jackson para a gravação de um clipe no pais) e a vista panorâmica dos morros e oceano.
O objetivo é tirar a imagem da cidade como uma das mais violentas do mundo. O objetivo do governador do Rio Sérgio Cabral é chegar a 2014 com 40 favelas "pacificadas", lembrando que de acordo com estimativas existem entre 650 e 1000 favelas no Rio de Janeiro.
Enfim, pacificar é importante, melhorar a segurança sem dúvida é essencial, mas levar nossos visitantes pra ver a dura realidade do país na minha opinião é desnecessário, afinal temos tanta coisa bonita para promover e portanto somos capazes de alavancar nosso país apenas com a beleza que Deus nos deu!
sábado, 22 de agosto de 2009
Viajando mundo afora
Hoje falo de Manaus, a capital do Amazonas, que concentra riquezas históricas e naturais, sendo um ótimo destino tanto para os amantes da natureza quanto para os apreciadores da cultura.Manaus é uma cidade grande, com 1,7 milhões de habitantes, conta com a praticidade dos shoppings centers e supermercados. É o principal centro financeiro do Norte do país, tendo como principal motor econômico o Pólo Industrial de Manaus. Na zona urbana uma das principais atrações é o Teatro Amazonas, que recebe anualmente um importante festival de ópera. Outros atrativos são o Museu do Índio, o Centro Cultural dos Povos da Amazônia e a região do porto, de onde partem viagens curtas e longas. O centro da cidade possui dezenas de prédios tombados como patrimônio histórico, que foram construídos na época dos barões da borracha, no século 19, que podem ser visitados a pé.
O nome Manaus Têm como significado a expressão "mãe dos deuses", em homenagem à nação indígena dos Manaós.
Durante todo ano a cidade recebe grandes quantidades de navios de cruzeiros, porém seu potencial turístico ainda pode ser melhor explorado, principalmente, no ecoturismo.

Por Manaus, passam os rios Negro e o Solimões, que ao se encontrarem formam o grande rio Amazonas.
Devido à proximidade do equador, o calor é um constante do clima local, sendo inexistentes os dias de frio intenso no inverno.
Apesar de estar situada na Amazônia Legal, Manaus possui poucas áreas verdes, as principais áreas verdes da cidade são: O Parque do Mindu, Parque dos Bilhares, Área Verde do Colina do Aleixo e o Parque Sumaúma.
A cultra da cidade foi bastante influênciada pelos povos nativos e pelos diversos grupos de imigrantes e migrantes, principalmente, os espanhóis.
Entre as principais festas da cidade podemos citar: o carnaval de Manaus, o carnaboi e a semana do mestiço e do caboclo.
Enfim, Manaus é um lugar lindo cheio de atividades que agradam a todos os gostos, tanto os que procuram um turismo para apreciar a natureza, quanto para os que procuram pelo turismo cultural.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Religião x Natureza
- "O versículo 28 do capítulo 1 do livro gênesis diz: (...) E Deus os abençoou (homem e mulher) e lhes disse: "Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei e subjugai a Terra! Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre tudo que vive e se move sobre a Terra" (...) A interpretação desta passagem do Antigo Testamento no sentido de que o homem é o senhor da natureza e que, portanto, ela existe para servi-lo, norteou o desenvolvimento das religiões judaico-cristãs."
- "Embalada pela voz dos ecologistas e mergulhada numa profunda reflexão sobre as raízes bíblicas a igreja reencontrou os ensinamentos de São Francisco de Assis (Séculos XII e XIII) e refez sua leitura sobre a natureza: Assim como o homem ela também é uma criação de Deus."
- "São frutos dessa reflexão da igreja a designação de São Francisco de Assis como patrono da ecologia do cristianismo católico, pelo Papa Paulo VI, no final da década de 70, e o surgimento de várias ONGs católicas na Europa, que trabalham financiando projetos ecológicos no terceiro mundo."
- "Antes dessa nova visão, a igreja cometeu omissões e foi conivente com a destruição da natureza ao longo de séculos, segundo o Frei franciscano Volney José Berkenbrock."
- Os católicos são a parcela mais significativa entre os cristãos em relação à sensibilização para as questões do meio ambiente. "E o cristianismo - que também compreende os protestantes, ortodoxos e anglicanos - possui o maior número de fiéis em todo mundo: são 1,9 bilhão de pessoas, o equivalente a 33% da humanidade." Em segundo lugar está o Islamismo, com 1,2 bilhão de fiéis, ou seja, 20% da população mundial: "Para os muçulmanos, a relação com a natureza é um pouco diferente. Tudo é ayat, que quer dizer "sinal", de Deus. E se tudo é um "sinal" de Deus, a natureza também o é, assim como "eu". A crise entre o homem e a natureza é compreendida por eles como sendo "espiritual" e traduzida em vários livros pelo teólogo e filósofo iraniano Seyyed Hossein Nasr. - Para os muçulmanos, quando o homem destrói "fora" é porque alguma coisa está destruída "dentro" dele. Eles se vêem como parte da natureza e não fora dela, explica Vitória Pérez."
- "As atividades, festas e comemorações, as grandes celebrações do ano têm a ver, originariamente, com os ciclos da Terra e da natureza. A Páscoa, ou Pessach para os judeus, era uma comemoração pelo início da primavera (abril, no hemisfério Norte), que significava o renascimento da natureza. Na simbologia dos cristãos, posteriormente, passou a ser a comemoração do renascimento da vida - explica o rabino e escritor Nilton Bonder."
- "A Bíblia tem uma preocupação grande com o chamado desenvolvimento sustentado. A economia primitiva era baseada em ciclos que respeitavam a Terra. O sétimo ano da plantação era considerado sabático, quer dizer, não se plantava para que a terra pudesse descansar. No 50º ano também não havia plantio e era feita uma redistribuição de terra, como uma reforma agrária. A Bíblia fala até de lixo, determinando a distancia mínima que poderia ficar das casas. Nilton Bonder cita ainda outros exemplos e mandamentos bíblicos seguidos até hoje pelos judeus, como a proibição de maltratar aos animais e as referências ao abate, para a alimentação, que deveria ser rápido, sem sofrimento."
- "Existe uma percepção sagaz na Bíblia, no livro do Gênesis, sobre a condição de o ser humano ser o controlador desse planeta. Mas a realidade atual nos coloca diante do desafio de como vamos utilizar esse poder, como vamos respeitar a vida e as outras espécies, completa Bonder."
- "a preocupação do judaísmo com a preservação da natureza vem aumentando ao longo dos anos. Nos EUA, grupos judeus participam ativamente das discussões das leis de restrição a certos alimentos transgênicos e pelo fim da extração de palmito. Eles também fundaram institutos de reflexão e estudos sobre o meio ambiente, como o Shomrei Ha-Adama (Os Guardiães da Terra), que se dedica à publicação de material educativo sobre temas ecológicos. "
- "Se no Hemisfério Norte a natureza era entendida como um presente de Deus, para a parte dos africanos, principalmente os que influenciaram a formação das religiões afro-brasileiras, ela é o próprio Deus. Embora acreditem também haver um único criador, que seria Olodum, os Yorubá (povo originário da Nigéria e Benin) e os Bantos (povo originário do Sul da África) personificaram as forças da natureza e acreditam que cada uma representa uma divindade."
- "De acordo com o Candomblé, religião afro-brasileira, a água do mar é Iemanjá, a água doce é Oxum, os trovões e as tempestades são Iansã, as folhas são Ossaim, o arco-íris é Oxumaré, a mara é Oxossi. É por causa de tamanho respeito à natureza que, ao contrário do que muitos imaginam, o Candomblé proíbe que se matem animais e vegetais."
- "Para tentar equilibrar a natureza e minimizar os impactos gerados pelas diversas ações do homem, o lama budista tibetano Gangchen Rinpoche criou A Prática de Cura do Meio Ambiente, uma série de exercícios de mantras, visualização e meditação que têm o objetivo de harmonizar o que eles chamam de meio "interno" e "externo"."
- "Todas as correntes do budismo estão muito ligadas ao meio ambiente. O próprio Buda se iluminou embaixo de uma figueira."
- "De acordo com a filosofia budista, as doenças (internas e externas) são fruto do desequilíbrio entre as energias que formam o Universo: fogo, terra, ar, água e éter. A prática desenvolvida pelo lama Gangchen tem o objetivo de harmonizar os "ventos" desses cinco elementos. E, assim como no candomblé, cada um está relacionado a uma divindade."
- "Há dois anos, o lama Gangchen veio de Milão (Itália), onde mora, para levar sua prática à Amazônia onde foi realizado o encontro "Fazendo as pazes com a Amazônia", entre budistas e caboclos que vivem à beira do Rio Tapajós."
- "A antropóloga Vitória Pérez faz uma retrospectiva histórica e identifica no período da Renascença o início da dicotomia entre o Homem e o Meio Ambiente. - A natureza sempre foi considerada sagrada, desde os primórdios da civilização, e, dependendo da tradição religiosa, principalmente no Oriente (budismo, islamismo, taoísmo), continua sendo. No Ocidente, ela deixa de assumir esse caráter a partir do renascimento europeu, quando se inicia o processo em que o homem quer dominá-la. A maior prova de que a natureza era sacralizada foi o fato de que a Ciência precisou se afastar da religiosidade para poder crescer."
- Quando a ciência "se afasta da religiosidade, passa a ter uma visão instrumental da natureza, passa a enxergá-la de forma utilitária, tal qual a interpretação inicial do livro do Gênesis. Vitória acredita, que aí, de alguma forma, as visões da religiosidade da época, no Ocidente - especialmente o catolicismo, porque era predominante - permitiram esse caminho científico, já que, em outras culturas, a Ciência e a visão sagrada da natureza continuaram juntas, como, por exemplo, na medicina chinesa. "
- "Quando a cultura islâmica atingiu seu apogeu, no império andaluz, tinha a idéia de ciência atrelada a uma "finalidade" maior. É por isso que alguns autores, como Roger Garaudy, consideram que o verdadeiro renascimento teria surgido naquela ocasião, porque, até aquela época (período entre os séculos XI e XV), as três religiões monoteístas (islamismo, cristianismo e judaísmo) conviveram harmonicamente, fato que enriqueceu muito cada uma delas. Mas esse provável renascimento foi abortado com a expulsão dos árabes da Espanha pelos reis católicos - conclui Vitória Perez."
Principais correntes
Cristianismo(católicos, protestantes,ortodoxos, anglicanos)1,9 bilhão de pessoas33% da Humanidade*
Islamismo 1,2 bilhão de pessoas20% da Humanidade*
Hinduísmo 800 milhões de pessoas13% da Humanidade*
Budismo 353 milhões de pessoas**
Judaísmo 13 milhões de pessoas**
Ateus 907 milhões de pessoas**
*Fonte: Revista Veja, de 1o demarço de 2000.
Comentários meus: Achei interessantíssima a relação entre a religião e a natureza dentre as mais diferentes crenças e nas mais diferentes épocas.
É importante observar que a interpretação é tudo e isso fica claro no primeiro tópico onde demonstra que a interpretação da Bíblia gerou a impressão de que o homem era superior à natureza e que esta tinha como finalidade servir suas necessidades sem importar o custo disso. Vindo à calhar em tempos onde a natureza está seriamente ameaçada São Francisco traz uma nova interpretação que coloca o homem e a natureza como criações divinas e, por isso, ambos devem ser cuidados.
Como sempre digo em minhas aulas de História a religião tem um propósito muito importante para com a sociedade, o de impor ordem nas mais diversas áreas, pois sua influência gera nas pessoas a necessidade de seguir seus preceitos, e através desses, a sociedade se mantém sob controle.
Ainda bem que para as religiões a natureza, atualmente, é vista como uma criação divina e, portanto, parte essencial da vida na Terra, afinal preservando a natureza estaremos preservando a nós mesmos.
SENAC e Educação Ambiental - N.1 (1992) - Rio de Janeiro: Senac/DN, 1992.